A Cave participa da SP-Arte Rotas com o projeto “Território onírico”. Uma das feiras mais importantes do país, a SP-Arte Rotas propõe descentralizar o mercado de arte e destacar produções artísticas oriundas de outras regiões do Brasil.
Com a curadoria de Lucas Dilacerda, o projeto apresenta obras que constroem um território onírico como forma de dar vazão às energias inconscientes e ancestrais. A mostra destaca os artistas Charles Lessa, Jane Batista (indicada ao Prêmio Pipa 2025), Júlio Jardim e Navegante Tremembé (também indicada ao Prêmio Pipa deste ano) e apresenta um conjunto de pinturas, fotografias e esculturas que discutem temas relacionados ao inconsciente e à ancestralidade.
As pinturas de Charles Lessa reinventam o surrealismo a partir de uma perspectiva queer, anarco-regional e naif-punk. As fotografias de Jane Batista são autorretratos performáticos que traduzem a sua história de vida, celebrando a sua ancestralidade e a força das mulheres. As esculturas de Júlio Jardim constroem um bestiário fantástico entre os reinos da vida que a modernidade colonial separou, formando seres híbridos entre o animal e a planta. As pinturas de Navegante Tremembé, feitas de pigmento natural colhido da Terra, retratam paisagens oníricas e ancestrais onde expressa a conexão profunda entre a sua cultura indígena e a natureza.

Além disso, outros artistas participam do estande, expondo obras em pequenos formatos, tais como: Acidum Project, Bárbara Banida, Blecaute, Canttídio, Cristina Vasconcelos, Gi Monteiro, Letícia Façanha, plantomorpho, Ramon Alexandre, Rian Fontenele, Sérgio Gurgel e Telma Gadelha.
Portanto, a mostra apresenta artistas que, de diferentes formas, utilizam os seus trabalhos como formas de acesso sensível às dimensões insondáveis da existência.
A Cave é uma galeria de arte brasileira, localizada em Fortaleza (Ceará) e interessada na produção artística do Nordeste do Brasil, a partir da ótica do território, da cultura, da decolonialidade e das poéticas contemporâneas. Nos últimos anos, a galeria vem desenvolvendo ações em contexto local, nacional e internacional. Entre as suas principais ações, está o desenvolvimento de um olhar sobre a produção dos artistas do Ceará, bem como o estímulo à sua valorização e posicionamento no mercado de arte. Com um perfil arrojado, a Cave busca agregar artistas que apresentam propostas que dialoguem de forma local e global, visando uma expansão da produção artística brasileira e do papel do Nordeste nesse sentido.
Lucas Dilacerda é Curador e Crítico de Arte. É sócio da AICA – The International Association of Art Critics; e também da ABRE – Associação Brasileira de Estética, da ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte e da ANPAP – Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas (Comitê de Curadoria). Ganhou o prêmio ABCA 2023 pelo destaque regional no Nordeste com a curadoria da Bienal Internacional do Sertão. Comite de Indicação do Prêmio PIPA (2025). Realizou mais de 50 curadorias de exposições coletivas e individuais, 70 cursos e 200 apresentações em diversas instituições de arte no Brasil, tais como Museu de Arte Contemporânea – Dragão do Mar; Pinacoteca do Ceará; Museu da Imagem e do Som; Centro Cultural Banco do Nordeste, no Cariri; Arte Plural, de Recife; Museu de Arte Moderna da Bahia; Instituto Goethe; Parque Laje, do Rio de Janeiro; SESC, de São Paulo; e diversas outras galerias, tais como Galeria Leonardo Leal; Cave Galeria; Galeria Tato; OMA Galeria entre outras. Possui mais de 50 textos, críticas de arte e artigos publicados. É professor de “Estética” e “História da Arte” de Cursos Técnicos do Dragão do Mar e da Pós-Graduação em Arteterapia e Arte-Educação da UNIFOR. Doutorado e Mestrado em Artes, pela Universidade Federal do Ceará (UFC); Especialização em Arte: Crítica e Curadoria, pela PUC de SP; Especialização em História da Arte, pela Universidade de Uberaba de Minas Gerais; MBA em Curadoria, Museologia e Gestão de Exposições, pela Estácio; e Graduado em Artes Visuais, pela Universidade Estadual do Ceará; também é Graduado (Licenciatura e Bacharelado) em Filosofia, com ênfase em Estética e Filosofia da Arte, com distinção Summa Cum Laude, pela UFC; Especialista em Arte e Filosofia Clínica, pelo Instituto Packter; e Mestre em Filosofia, com ênfase em Estética e Filosofia da Arte, pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFC.
Charles Lessa (Crato, CE, 1993) desenvolve trabalhos em pintura com desdobramentos na arte urbana e escultura. Cria ficções com a pintura figurativa, na qual investiga a estética popular em diálogo com a arte contemporânea. Indicado ao Prêmio Pipa 2022.
Jane Batista (Piripiri, PI, 1975) é fotógrafa, performer e poeta. Seu olhar sobre si mesma é repleto de fantasia e revela seus sonhos, desejos, medos e também sua realidade. A artista usa seu próprio corpo e se cobre com objetos de sua vida cotidiana na forma de adornos, camadas, que muitas vezes adicionam um verniz simbólico ao seu trabalho. Dessa forma, ela monta uma semântica que explora noções de raça, história e representação. Indicada ao Prêmio Pipa 2025.
Júlio Jardim (Pirambu, CE, 1964) é escultor e investiga o barro como matéria espiritual. Em suas obras, vemos nascer seres híbridos entre o humano, o animal, a planta e o mineral, que se fundem para formar entidades imaginárias com referência às culturas africanas e indígenas. As esculturas de Júlio Jardim performam a transmutação como condição da vida e realizam uma ligação entre o céu e a terra.
Navegante Tremembé (Itarema, CE, 1960) é indígena, da aldeia Varjota, que há quase 40 anos retrata a sua cultura por meio de pinturas com o Toá, que é um pigmento natural extraído do solo do mangue, com cores produzidas por camadas geológicas formadas há milhões de anos na Terra. Esses pigmentos carregam consigo não apenas a materialidade da terra, mas também a conexão espiritual com o território e a memória do povo Tremembé. Em suas pinturas, vemos paisagens ancestrais onde diferentes seres vivos co-habitam o plano em um forte estado de harmonia, fazendo com que seus trabalhos se tornem arquivos e patrimônios da Terra. Navegante é uma guardiã dos saberes ancestrais de seu povo. A artista é profundamente comprometida em transmitir esse conhecimento às futuras gerações, trabalhando com jovens nas escolas indígenas. Indicada ao Prêmio Pipa 2025.
Serviço: Mostra “Território onírico”, no stand da CAVE Galeria na SP-Arte Rotas, de 27 a 31 de agosto de 2025, na ARCA – Av. Manuel Bandeira, 360 – Vila Leopoldina, São Paulo – SP, CEP: 05317-020.